O novo da velha política

 

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Nesta terça, 27, às 11h, Raul Jungmann tomará posse como ministro de uma nova pasta, intitulada “Segurança Pública”. Considerando esse o 29º ministério do governo Temer, fica a dúvida se realmente seria necessária a criação de mais uma autarquia, o que implica mais gastos, para tratar de um assunto que já era responsabilidade dos ministérios da Justiça e da Defesa.

O novo cargo de Jungmann surgiu a partir de uma MP (Medida Provisória) com o intuito de coordenar e promover a integração dos serviços de segurança pública em todo o território nacional em parceria com os demais entes federativos. O órgão vai incorporar a Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Secretaria Nacional de Segurança Pública e Departamento Penitenciário Nacional. Será que a solução para as questões sobre violência no Brasil precisava de um novo representante emergencial, ou seria mais efetivo encarar o problema com ações mais complexas e de longo prazo?

 

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Ao tomar posse, o presidente Michel Temer prometeu um Estado enxuto e eficiente. “A primeira medida, na linha dessa redução, está, ainda que modestamente, aqui representada, já eliminamos vários ministérios da máquina pública… Já estão encomendados estudos para eliminar cargos comissionados e funções gratificadas”. Mas com a criação da nova pasta de Jungmann, o atual governo se aproxima dos 31 ministérios que serviam a ex-presidente Dilma Rousseff.

A criação desse ministério faz parte da estratégia de Temer em ganhar espaço no imaginário popular ao abordar a agenda de segurança pública, tema que tem destaque nas preocupações dos brasileiros nas eleições de 2018. Temer adota um discurso mais energético para vender a imagem de linha-dura e, com isso, tentar se aproximar do segmento eleitoral mais conservador e que defende uma ação mais forte no combate ao crime organizado.

 

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Contudo, há quem diga que a iniciativa é um esforço necessário para sanar um problema que – de tão comum – já virou uma letra de funk de sucesso tamanha a banalização do assunto. A necessidade de se tomar medidas duras – inclusive via intervenção federal – era clara. Porém, seria preciso um novo ministério, ou trata-se de uma jogada da velha política, pautada numa retórica vazia em ano eleitoral?

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